A Rede Samidoun de Solidariedade aos Prisioneiros Palestinos declara sua plena e irrestrita solidariedade ao povo e ao governo da República Bolivariana da Venezuela, que hoje enfrenta não apenas mais de uma década de medidas coercitivas econômicas impostas pelos EUA e de guerra econômica, nem tão somente ataques militares imperialistas ao seu comércio e à sua população no mar, mas uma agressão terrestre e aérea em larga escala conduzida pelos Estados Unidos, tendo como alvo a capital Caracas, os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. O presidente dos EUA, Donald Trump, chega a se gabar do sequestro do legítimo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro Moros. Neste momento, é urgente que todos aqueles que se colocam contra o imperialismo, particularmente em relação aos Estados Unidos e todo o núcleo imperial, se posicionem ao lado da Venezuela contra o imperialismo estadunidense e sua criminosa agressão militar.
A agressão contra a Venezuela é feita das mesmas ambições da atual ofensiva estadunidense-sionista contra a Palestina, o Líbano, o Iêmen e toda a região, incluindo as contínuas e intensificadas ameaças de guerra contra o Irã. Enquanto os EUA bombardeiam e invadem a República Bolivariana da Venezuela — notadamente poucos dias após o encontro de Trump com seu colega criminoso de guerra, o primeiro-ministro sionista Benjamin Netanyahu — o regime sionista ameaça novos ataques ao Líbano, ao mesmo tempo em que continua bombardeando diariamente o Sul do país, e Gaza, onde prossegue com seu genocídio, mesmo em meio ao “cessar-fogo” unilateral.
Os EUA chegaram inclusive a atacar o mausoléu do líder venezuelano da Revolução Bolivariana, Hugo Chávez, que em 2009 declarou publicamente que a entidade sionista era culpada de genocídio em Gaza e expressou seu firme apoio à luta de libertação do povo palestino. Assim como na Palestina, no Líbano, no Iêmen, no Iraque e no Irã, mais uma vez é imperativo afirmar total solidariedade ao direito da Venezuela de se defender e de resistir à agressão imperialista dos EUA.
A República Bolivariana da Venezuela é hoje atacada por seus recursos e por seu petróleo, que o criminoso de guerra Trump se vangloria abertamente de buscar controlar, dominar e explorar. No entanto, mais do que apenas por seu petróleo, a Venezuela é atacada porque a República Bolivariana se posiciona de forma clara e firme pelo direito do povo e do governo venezuelanos de controlarem seu próprio destino e futuro, e pelo direito dos povos do mundo de fazerem o mesmo. Isso inclui romper todas as relações com a entidade sionista e reiteradamente defender a Palestina em fóruns internacionais.
Em 2018, Ahmad Sa’adat, secretário-geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) e uma das principais lideranças encarceradas do movimento dos prisioneiros palestinos, escreveu:
A República Bolivariana da Venezuela tem sido uma aliada firme do povo palestino. Em todas as arenas e fóruns internacionais, e por meio de apoio prático e solidariedade material, o povo e o Estado venezuelanos estiveram ao lado do povo palestino, enfrentando o imperialismo e o sionismo. A rejeição da Venezuela às relações diplomáticas com o regime colonial israelense se coloca como um exemplo mundial de solidariedade e boicote, por princípio, especialmente enquanto o movimento palestino, incluindo o movimento dos prisioneiros palestinos, convoca ao boicote, desinvestimento e sanções contra Israel… Conhecemos bem as palavras e as ações de Hugo Chávez em apoio ao povo palestino e suas claras condenações aos ataques sionistas contra o povo palestino. “O Estado de Israel se tornou um capacho assassino a serviço do imperialismo… É um governo genocida. Condeno esse governo sionista que persegue o heroico povo palestino”, disse Chávez. Suas palavras sobre a Palestina e em apoio à luta do nosso povo fortaleceram a determinação e a resistência dos palestinos em todos os lugares.
A Venezuela tem sido, há mais de uma década, alvo de sanções e de cerco — medidas coercitivas unilaterais e ilegais — impostas pelos Estados Unidos. Isso constituiu uma guerra econômica híbrida em larga escala contra a Venezuela, com o objetivo de promover uma “mudança de regime” em favor de uma “oposição” venezuelana totalmente subordinada ao imperialismo dos EUA e aliada ao sionismo. Ao mesmo tempo, gerou respostas criativas e resilientes à coerção estadunidense, em aliança com outros Estados alvo, como o Irã, além da ampliação do comércio com a China, a Rússia e outras potências do BRICS. Trata-se da mesma política de cerco e fome que, nos últimos 17 anos, foi intensificada e direcionada contra a Palestina e sua Resistência em Gaza. Essa política se estende ainda às designações de “antiterrorismo” e às sanções individualizadas impostas a cada pessoa identificada no mundo que enfrenta o imperialismo dos EUA, as quais Washington exige que sejam tratadas como decretos globais.
A recusa em permitir que os EUA controlem o comércio das maiores reservas de petróleo do mundo, pertencentes à Venezuela, faz parte do esforço global para romper a hegemonia do imperialismo estadunidense e a dominação do dólar no comércio internacional. A Venezuela é hoje atacada, assim como suas lideranças, porque, à semelhança de Simón Bolívar, de quem a República Bolivariana toma seu nome, defende a soberania, a liberdade, a autodeterminação e todo o Sul Global contra o imperialismo; porque a Venezuela ousou, desde sua Revolução, dizer “NÃO” ao império.
O sequestro do legítimo presidente venezuelano Maduro é mais uma aventura criminosa do imperialismo dos EUA, após tentativas fracassadas de usar colaboradores e subornos para alcançar seus objetivos. Antes de ser submetido a essa invasão e sequestro, Maduro foi alvo de uma recompensa de US$ 15 milhões oferecida pelos EUA por sua cabeça. O sequestro e o assassinato de lideranças são estratégias utilizadas pela aliança imperialista-sionista na Palestina, no Iêmen, no Líbano, no Irã e em toda a região, assim como a imposição de recompensas vultosas que transformam a vida daqueles que se recusam a se submeter ao imperialismo dos EUA em mercadoria. De fato, muitas lideranças da Resistência visadas pela ocupação (frequentemente com inteligência dos EUA e quase sempre com armamento estadunidense) foram alvo dessas recompensas, incluindo os mártires Saleh al-Arouri (martirizado há dois anos ontem), Haitham Ali Tabataba’i, assassinado há apenas 40 dias no Líbano, e, claro, o Sayyed Hassan Nasrallah, assassinado com 80 toneladas de explosivos fabricados nos EUA. A combinação de sequestro, prisão e assassinato de lideranças é o manual padrão imperialista e colonialista, exemplificado pela campanha de prisões e assassinatos direcionada à Resistência palestina.
De fato, este ataque de 3 de janeiro contra a Venezuela ocorre seis anos após o assassinato do general Qassem Soleimani e de Abu Mahdi al-Mohandis em Bagdá, no Iraque, em 3 de janeiro de 2020 — mais um crime flagrante e ilegal do imperialismo dos EUA. Esse aniversário infame é agora marcado por mais um crime de agressão estadunidense contra povos e nações do mundo que se organizam e lutam para rejeitar o imperialismo, sua pilhagem, dominação e hegemonia.
O governo venezuelano confirmou que a vice-presidenta Delcy Rodríguez está em segurança e assumirá as funções do legítimo presidente capturado e ilegalmente sequestrado pelos Estados Unidos.
Este é um momento de resistência e de ação. Está claro que os EUA enxergam o massacre, até mesmo do ponto de vista da farsa da legalidade internacional — exposto em seu genocídio imperialista-sionista em Gaza —, como uma porta aberta para expandir sua agressão em todo o mundo, sem sequer tentar fabricar algo além do mais tênue pretexto, enquanto declaram abertamente sua sede pelos recursos dos povos do planeta.
É uma responsabilidade urgente de todas e todos, e de cada organização nos Estados Unidos e no núcleo imperial, levantar-se agora em defesa da Venezuela, escalar a luta, protestar, realizar ações diretas — ao mesmo tempo em que nos posicionamos contra o genocídio em curso na Palestina, o ataque ao Líbano e a agressão contra todos os povos da região e do mundo que enfrentam e resistem ao imperialismo. Não podemos permitir a continuidade da “vida normal” nem nos contentar com condenações tímidas.
O movimento de libertação palestino é, fundamentalmente, um movimento anti-imperialista; o povo palestino enfrenta não apenas o sionismo na Palestina e sua entidade “Israel”, mas também as potências imperialistas — se isso não estava suficientemente claro antes da Tempestade de Al-Aqsa, está evidente agora. A frente em defesa da Venezuela é uma frente em defesa da Palestina, pela libertação da terra e do povo, e para enfrentar nosso inimigo imperialista em comum.
Em 2022, o presidente venezuelano Nicolás Maduro afirmou: “O Eixo da Resistência existe em todo o mundo; existe na África, na Ásia, no Oriente Médio, na América Latina e no Caribe. A Resistência também pertence aos povos que lutam contra o neoliberalismo, o racismo e as diversas formas de colonização… O século XXI é o nosso século. É o século da unidade dos povos. É o século em que os povos serão libertados. É o século da justiça e da verdade. Os impérios estão em declínio, e os projetos populares de bem-estar, desenvolvimento e grandeza estão apenas começando. Este século é o nosso século.” Existem dois caminhos para o mundo: o da resistência dos povos, da Tempestade de Al-Aqsa e da Revolução Bolivariana; e o dos crimes horrendos do imperialismo e da ganância e do saque escancarados do império estadunidense em declínio. É nossa tarefa fazer com que o primeiro caminho — o campo global da resistência — seja maior, mais forte e, de fato, vitorioso.
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